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Crónicas de uma menina da mamã

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" Antoine de Saint-Exupéry

Que atire a primeira pedra...

.... Quem numa segunda-feira de manhã, pela fresquinha, em jejum, antes das oito, com uma dor de cabeça do carvalho, nunca teve vontade de esbofetear, abanar, achincalhar e desancar a colega do lado que mais parece a Cristina Ferreira sem o Manuel Luís Goucha!

Ah só eu?? Ok...

 

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 (Imagem retirada de blá, blá, blá, carreguem no link)

Sarcasmo a quanto obrigas!

Na semana passada estava eu a passear no shopping com a minha mãe quando reparo que alguém se tinha colocado à minha frente a fixar-me, tive que parar, era isso ou albarroá-la (não que lhe fizesse grandes danos corporais), e a senhora em causa pergunta-me:

Sra. - R.?

Eu - Não...

Sra. - Mas tu não te chamas R,?

Eu - Acho que ainda sei como me chamo (risinho parvinho).

Sra. - Ah já sei és aquela que andava no colégio "na na na na" com a R.?

Eu - Ahhh sim sou eu, mas eu chamo-me K. (risinho parvinho).

Sra. - Já estás a ver quem eu sou?

Eu - Claro que sim! Claro que não Está tudo bem?

Sra. - Sim tudo, então já trabalhas?

Eu - Sim já, mal seria, certo? (risinho parvinho).

Sra. - Sim claro já passaram uns anos. E andaste na faculdade? Que curso tiraste? Já casaste? Tens filhos?

Eu - (Risinho parvinho) Isto parece um interrogatório, ou me lê os meus direitos agora ou então acho que estou livre para ir (Risinho irónico).

Sra. - Ah claro que sim desculpa, mas gostei muito de te ver estás muito gira R.

Eu - K. eu chamo-me K.! Até à próxima, vou começar a andar com o Código Civil na mala não vá encontrá-la novamente (Risinho de quem ganhou o diálogo mais parvo do ano até ao momento).

Viro-me para a minha mãe que me lança um olhar com um ar reprovador:

Mãe - Não podes ser só um bocadinho menos sarcástica com as pessoas?

Eu - Posso sim mãe, e achas que as pessoas podem ser um bocadinho menos parvas comigo?

Olhámos uma para a outra e tivemos que nos rir desalmadamente. Eu até diria que contra pessoas parvinhas e metediças não há argumentos mas eu arranjo sempre meia dúzia de sarcarmos para cada situação.

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 (Gif retirado daqui)

Eu tenho medo é das pessoas!

Outrora uma criança com medo do escuro e do bicho papão, hoje em dia uma adulta com medo de pessoas...

Vivemos num mundo onde cada qual expressa as suas opiniões como, quando e onde quer, mas nem sempre da melhor forma. Um mundo onde se olha cada vez mais para o seu umbigo e onde se desrespeitam, insultam e  matam pessoas devido às suas crenças, credos e orientações sexuais. Um mundo onde é mais fácil agredir uma pessoa que não se gosta das mais variadas formas: atrás de um ecrã, de um tablet, de um smartphone, com uma arma ou uma bomba em riste.

Tenho medo de pessoas que não sabem no que acreditam, mas acabam sempre por acreditar no mal. Pessoas que não se lembram dos princípios básicos humanos, que não têm fé em nada de bem. Tenho medo de pessoas que não mostram nem demonstram qualquer empatia ou respeito por qualquer ser humano, apenas neles próprios. Tenho medo de pessoas que gritam com toda a gente, enxovalham, batem o pé, que acham que suas razões são sempre melhores que as dos outros, pessoas que não pensam duas vezes antes de agredir ou humilhar alguém, pessoas que desrespeitam e atropelam quem estiver pela frente.Tenho medo de pessoas que pensam que sabem tudo, que pensam que têm tudo, que pensam que conhecem tudo, pessoas que pensam que nunca erram, erraram ou irão errar.Tenho medo de pessoas que diminuiem os outros por causa da sua aparência, origem, classe social, raça, credo ou maneira de ser. Tenho medo de quem não aceita os erros dos outros, que é o primeiro a acusar e exigir punição em nome de uma falsa moral e ética – moral que apenas esconde uma enorme intolerância. Tenho medo de pessoas que não pensam e sobretudo de pessoas que não sentem, e quem não se sente não é filho de boa gente, já diz o velho ditado.

Sei que toda a gente tem as suas fraquezas, e admiro quem luta para ser diferente do que é, e também sei que há muita, mas muita gente diferente disto tudo, gente que, na sua essência, é gente boa. E essa gente não me provoca medo, e sim carinho, amor, esperança, tranquilidade…

Mas também já percebi porque tenho medo de certas pessoas: algumas revelam um lado obscuro, podre e triste do ser humano, e são essas que provocam as coisas más do mundo. Coisas que eu luto com todas as minhas forças para afastar, coisas que eu nunca quero ser.

E por isto é que tenho medo das pessoas...

E porque sou uma pessoa......

O ser humano é único num mundo onde vivem muitas pessoas, mas nenhuma é igual à outra. Cada pessoa tem seu maneira de ser, os seus gosto, a sua maneira de fazer e reagir a cada situação.

Eu sou uma pessoa igual a todas as outras, com momentos bons e outros menos bons, com defeitos e virtudes. Eu sei que nem sempre sou justa, tenho o coração na boca e na ponta dos dedos, digo e escrevo o que quero e por vezes, também o que não quero. É dos momentos que digo e escrevo o que não quero que mais me arrependo, mas ao fim e ao cabo sou uma pessoa.... Porque eu sou uma pessoa.. Por vezes calma, outras simpática e amorosa, mas também impaciente, stressada e por vezes pouco tolerante... Eu conheço-me melhor do que ninguém e não preciso que me descrevam, como pessoa só preciso que aceitem a minha maneira de ser....

Já houve quem me aceitasse como sou, já houve quem desistisse de mim e aqueles que nunca desistirão de mim, porque me aceitam como eu sou, porque me aceitam como eu os aceito a eles! E porque eu sou uma pessoa...