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Crónicas de uma menina da mamã

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" Antoine de Saint-Exupéry

#PrayForPortugal

É assim que está o nosso país, é assim que vai continuar a estar porque o calor, o vento e o governo não permitem que a situação abrande. Mas dói, dói ver o meu Portugal novamente assolado pelas chamas, dói ver homens e mulheres cansados e devastados, que horas e dias a fio lutam contra algo que não conseguem combater, dói igualmente saber o que o Ministério da Administração Interna, numa altura em que practicamente todo o país arde, negue ajuda aos bombeiros através dos meios da Força Aérea. Dói-me saber que se perderam casas, carros, animais, árvores, florestas e sobretudo, sobretudo pessoas, dói mesmo...

É assim que está o nosso Portugal!

#PrayForPortugal

Madeira2.jpg

 (Imagens retiradas da Internet)

O que se falou por aqui

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    Kikas 11.08.2016

    Já temos ajuda de Espanha e de Marrocos, do nosso Ministério responsável nem por isso.
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    Psicogata 11.08.2016

    Demoraram muito tempo a pedir ajuda. Na Madeira na terça à hora de almoço disseram que estava tudo controlado... Ardeu tudo nessa noite.
    O pedido de ajuda aos meios internacionais só foi feita ontem... Muito tarde.
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    Andy Bloig 11.08.2016

    A situação da Madeira já deu barraca no PSD e CDS continental... por andarem a tentar apagar as conferências do presidente da regisão autónoma.

    A nível Europeu, a Espanha também tem poucos meios disponíveis. As zonas de Aragão, Estremadura, País Basco e Canárias tem tido muitos incêndios nestas últimas semanas.
    Na França, a cidade de Marselha teve 2 incêndios gigantescos a ameaçar o meio urbano. O mesmo aconteceu com Toulose no fim de semana passado.
    O Canadair italiano que chegou hoje, esteve em França e ia para Espanha. Está cá uns dias mas, se for necessário, vai-se embora.
    Nos países mais a oriente, tem tido tempestades, anormais para a época, seguidos de ondas de calor.
    Este Verão tem sido anormal por toda a Europa.
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    Psicogata 11.08.2016

    Não sei se tentaram apagar a conferência mas acho pouco provável que consigam, deu em todos os telejornais, na terça ao almoço não necessitavam de ajuda, às 19h estava tudo descontrolado.
    Independentemente de a Europa estar a ser assolada por fogos, na minha opinião, a ajuda foi pedida tardiamente, porque falam muito da Madeira e de Águeda, mas os concelhos de Paredes, Valongo, Lousada e Penafiel têm focos de incêndio por todo lado.
    Viana do Castelo então é um sufoco.
    Os responsáveis não sabem dos fogos pelos meios de comunicação, têm quem lhes reporte as situações de outra forma, deveriam ter pedido ajuda antes.
    Quanto a não termos aviões de combate de fogo da Força Área acho um erro, como sempre os fundos são mal distribuídos, como por exemplo na compra de submarinos...
    Já agora esclarece-me uma coisa se é preciso dar cursos aos militares para pilotarem aviões de combate de fogo, porque é que os alugados estão a ser conduzidos por militares de férias? Ou essa informação é errada?
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    Andy Bloig 11.08.2016

    Os pilotos militares de helicópteros tem de fazer uma formação (válida para 2 ou 3 anos) para o transporte de cargas por guindaste. Essa formação permiti-lhes tripular helicópteros de combate a fogo. Os pilotos dos C130 tem treino para "ataques ao solo", que lhes permite usar uns quantos tipos de aviões para o combate a fogos.
    O estado é dono dos Kamov. (1 deles está para sucata, 2 andam a ser reparados com peças do da sucata que estão, com os outros 3, sub-alugados à Everjets, que fornece os pilotos e trata da manutenção.
    A razão para isto, é o valor da manutenção e da Força Aérea não ter técnicos especializados naquele tipo de aeronaves. (Sendo que a formação, dada pela empresa russa, é caríssima.)
    Só que os militares não tem mais avião ou helicóptero nenhum para combater fogos. Os Lynx servem para busca e resgate. Os puma estão parados em Beja e só fazem voos de treino (pois precisam daquele "balde" e só há 2 que podem ser usados, pois o resto já está estragado).
    Os C130 já não tem equipamento para carregar água.

    Era isso que estava a dizer à Kikas. O MAI não negou nada... só disse à FAP que a ANPC mantinha a gestão dos meios aéreos, pois a FAP queria ficar com isso a seu cargo, só que era para mandar os Kamov para a sucata e comprar aviões Canadair, usados, a França, Alemanha e Canadá. Não temos dinheiro disponível para isso...
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    Psicogata 12.08.2016

    Mas segundo sei as empresas subcontratadas contratam militares para pilotar.
    Eu sei que estes equipamentos são caros, mas é mais caro ainda não os ter, há muitos custos que não são contabilizados, os incêndios não custam só a contratação dos aviões, custam recursos naturais impossíveis de quantificar.
    O que li foi que o MAI recusou a ajuda da FAP na coordenação das operações, e verdade seja dita, todos os anos existem erros na coordenação das operações, porque quem faz esse trabalho não formação que o permita fazer em condições.
    Como foi possível o presidente da Madeira estar toda a tarde a dizer que o incêndio estava controlado? Todos os anos vários casos são relatados e depois abafados de má gestão de operações.
    A FAP não precisa de ter os meios físicos tem meios humanos especializados que podem ser uma mais valia.
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    Andy Bloig 12.08.2016

    A coordenação dos aviões não é feita pela FAP. É feita pela NAV Portugal que trata do controlo aéreo do país.
    A organização dos meios e dos contratos, é com a ANPC (protecção civil) . É este o ponto que eles pediram para ficar responsáveis (tendo por base um estudo feito em 2015 e que ficou na gaveta).
    A FAP queria ficar com essa responsabilidade, para poder receber investimentos para meios próprios, em vez de andar a contratar a privados. (Combate a fogos e no transporte aéreo de doentes estão concessionados a privados há mais de 20 anos.) A longo prazo, tem toda a razão. Usando meios próprios, teoricamente, ficaria mais barato... o problema é a situação económica de agora. Neste momento entregar isso à FAP, iria duplicar custos. O material está todo obsoleto (o que ainda sobra tem mais de 20 anos). E a FAP não quer os Kamov para nada. Foi por causa disso que eles começaram a ser concessionados, tanto que quem pilota os Kamov tem sido pilotos Ingleses, Russos e de países de leste. O co-piloto é que é português ou espanhol. Os outros helicópteros e aviões é que são pilotados por alguns pilotos portugueses. Uns na reforma, outros de férias, outros de licença sem vencimento e outros que deixaram a FAP ficando a trabalhar em contratos de serviços.
    Foi isso que a associação disse e que um grupo de pessoas aproveitou a cobertura em directo de um noticiário para dar origem à ideia que o MAI estava a proibir a FAP de ajudar os bombeiros. Eles não podem ajudar, porque não tem meios.
    Seja a FAP ou a ANPC a ter a gestão, tem de contratar privados para o fazer. Com o contrato assinado no ano passado com a Everjets para as operações dos Kamov, se fosse a FAP a ficar com essa gestão, a empresa tinha de receber mais dinheiro do que já lhes foi pago pelos 4 anos de manutenção das aeronaves, para cancelar o contrato. Os Kamov são do estado e estava criado um imbróglio: a FAP não quer os Kamov.
    Para agora, não há dinheiro disponível para equipar ou comprar material para ser a força aérea a tratar do combate aos fogos. Mesmo que se decidisse agora, só daqui a 2 anos é que já poderiam assumir essas missões em pleno. Comprando equipamentos usados (como foi proposto) já este ano, alguns poderiam já estar operacionais no próximo Verão. Porque se fossem comprar novos, só daqui a 4 ou 5 anos é que estariam prontos a operar. E nesse espaço de tempo? Tinha de se continuar a pagar a privados para combater os fogos...
    É uma situação complicada que tem custos gigantescos. Se existisse dinheiro disponível (e vontade política, pois não chega uma legislatura), podia-se investir em meios próprios, só que era a longo prazo (provavelmente iria demorar uma década ou mais que isso).

    A nível de transporte aéreo, os militares tem sido levados para os locais por meios do exército, marinha e força aérea... não tem é estado nas zonas onde os jornalistas andam a filmar e não é notícia 300 homens a bater o mato, quando há uma casa do outro lado da serra com fogo a aproximar-se.

    A Espanha tem a força aérea a tratar disso e contrata privados quando não há mais meios disponíveis. Só que tem aviões próprios que vão sendo reparados e actualizados. Temos mão de obra mas, não há meios próprios e não há dinheiro para os comprar, ao mesmo tempo, estando a pagar a privados para preencher esse vazio.
    (Comprar um avião não é a mesma coisa que comprar um carro... mesmo depois de entregue são precisas verificações para estar operacional que demoram bastante tempo.)

    O caso da Madeira, infelizmente, não foi desorganização. Foi o pensar que pedir reforços era mostrar que a ilha estava fraca e precisava da ajuda do continente. Quando se levantou vento ao final da tarde, foi como um rastilho. O outro problema foi o presidente de lá ter dito que o governo já lhe tinha oferecido meios nessa manhã e ele recusou... e os membros do partido terem vindo dizer que a ministra da administração interna "devia estar no Algarve, ignorando os cidadãos, pois ainda ninguém a viu." Notícia esta que desapareceu dos sites noticiosos quando surgiram comentários com a conferência de imprensa dada, muitas horas antes, pelo presidente da Madeira. É assim que se manipulam as ideias...
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    Psicogata 12.08.2016

    "pensar que pedir reforços era mostrar que a ilha estava fraca e precisava da ajuda do continente" para mim é um pensamento que origina por si má organização, é colocar o orgulho à frente do interesse da ilha e da população.
    Eu sinceramente não entendo esta divisão parva que eles fazem, é incrível como acham que poderiam ser independentes.

    Em relação ao dinheiro, este problema dos incêndios deve ser encarado a longo prazo porque é um problema que tem tendência a agravar, estima-se que a média da temperatura em Portugal suba 10 graus nos próximos 75 anos, mas a julgar pelo último ano esse aumento está próximo. É urgente alguém olhar para a situação com uma visão a longo prazo que englobe a prevenção e os meios de combate, a questão da floresta é outro tema que tem de ser analisado, temos de promover outras culturas e outros negócios sem ser a pasta de papel.
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