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Crónicas de uma menina da mamã

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" Antoine de Saint-Exupéry

Oh Henrique chega-te aqui se faz favor!

Caro Henrique Raposo venho por este meio deixar-te umas palavrinhas, espero que as aceites melhor do que todo o povo alentejano aceitou o teu livro!

 
Em primeiro lugar tenho-te a dizer que já ando à uns dias para te escrever, mas o que li e ouvi esteve-me engasgado na garganta e no nós dos dedos até ao dia de hoje.
 
Não és tu, sou eu... Eu não lido muito bem com a ignorância, peço-te desde já imensos perdões.
 
Meu caro quero-te dizer em primeiro lugar que Santiago do Cacém não pertence ao Alentejo, muito menos ao Alentejo profundo, Santiago do Cacém pertence ao Distrito de Setúbal, se fosse para mandares uma jarda dessas mais valia teres dito que Santiago do Cacém pertence ao Litoral Alentejano, mas não posso esperar muito de ti depois de tudo que vi e li!
 
Não conseguindo deixar de pensar como é que uma pessoa como tu, que segundo consta, és licenciado em História e com um Mestrado em Ciência Politica, e não querendo ser precipitada ou má língua, está-me a querer parecer que não te saíste muito bem em Geografia nos teus tempos de escola, consegues escrever mais disparates num livro, que não deve ter mais do que 50 páginas, do que o Gustavo Santos nos seus livros de Life Coaching.
 
Vou deixar aqui os tópicos principais do teu livro "Alentejo Prometido":
 
 O suicídio é bem aceite e cultivado: Mentira, sendo os alentejanos um povo maioritariamente católico, o suicídio não é encarado com bons olhos! 
 A violação é como um copo de água e as mulheres dizem “e pronto…”: Mentira, as aldeias e vilas alentejanas guardam e marcam os violadores por décadas. Não arranjam emprego e/ou são despedidos, são empurrados para fora da terra!
Os alentejanos são gentes em que não se pode confiar: Provavelmente verdade se estivermos a falar de ti, o povo alentejano em geral é confiável, o povo alentejano, o país e o mundo!
 
Meu caro, quando te perguntam numa entrevista se te consideras alentejano e dizes peremptoriamente que não, vê-se logo a qualidade de pessoa que és (não deixa de ser verdade que não és alentejano como já expliquei na primeira frase), quem nega e renega as suas raízes e ainda escreve um livro a denegrir e esmiuçar um povo que pertence a Portugal incomoda-me, se eu estivesse ao teu lado e me perguntassem se eu era portuguesa negava-o, não por vergonha do meu país, mas por vergonha de estar ao teu lado!
 
Eu sou da opinião que hoje em dia toda a m#&@ escreve um livro, tu és mais um desses. Sim eu sei o que é liberdade de expressão mas como alentejana do Alentejo que sou, e não de Santiago do Cacém, sinto-me ofendida pelas tuas palavras, tu tens 30 anos e escreves como se tivesses vivido no Alentejo, Algarve, Beira-Alta, Beira-Baixa e por aí em diante, no século XVII, onde tudo era tolerado, abafado e permitido pelo povo.
 
Não fui criada no Alentejo mas os meus pais foram e queres que te diga uma coisa Henrique: sempre tiveram carinho dos pais e inclusive dos avós, o que tu relataste foi uma época medieval inventada pela tua fértil e parva imaginação, ao fim e ao cabo tu estudaste história e por conseguinte todos os periodos da mesma!
 
Está-me a querer parecer que não tens problemas com a tua infância no "Alentejo", tem muitos problemas recalcados e para os descomprimires decidiste achincalhar um povo inteiro.
 
Henrique vou-te dar um conselho: vai mazé beber uns Gins tónicos com os teus amigos queques de Cascais a um Rooftop de Lisboa, que hoje a noite está convidativa, e quando chegares a casa vai ao manual de geografia do 5ª ano, depois pensa melhor se queres realmente enveredar pela carreira de escritor.
 
Sabes que mais Henrique eu não escrevi um livro, só tenho um blog e consigo ter mais palmos de consciência e conhecimentos do que tu, o que convenhamos que não é difícil.... 
 
Kikas

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