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Crónicas de uma menina da mamã

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" Antoine de Saint-Exupéry

Dia dos melhores amigos!

"Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.
Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta.
Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c.
Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'


Delícia De Amêndoa

Mula, o que te trouxe o carteiro?

Minha Mulinha do coração, desejo-te um dia super feliz e que tenhas todas as alegrias a que tens direito, a felicidade consiste em partilhar as pequenas e as grandes coisas com as pessoas que amamos. Que este dia de festa seja apenas o início de uma vida cheia de alegrias! Que este amor que os uniu se multiplique a cada dia desta nova vida que irão começar. 

Muitas felicidades Mula é que te desejo do fundo do coração, porque tu mereces tudo de bom!

 

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Não me posso queixar?

Sinto-me tão cansada, mas tão cansada mesmo que nem consigo descrever bem como me sinto. O meu corpo e a minha mente estão claramente a ressentir-se de quase um ano sem férias, sinto-me cansada quando acordo, ao longo do dia, à noite, aos fins de semana, nos feriados, enfim...... ultimamente, sempre mesmo.

Eu sei que tenho sorte por ter trabalho, atenção, e dou graças por ter sido dotada de sentimentos humanos e tenho verdadeiramente pena daqueles que querem trabalhar e não arranjam trabalho, já não tenho tanta pena daqueles que querem empregos, ou decidem deixar o trabalho que tinham porque "estavam fartos de ser explorados", como ouvi há pouco tempo. Infelizmente quem quer trabalhar nos dias que correm tem que se sujeitar ao que tem ou arranja, já lá vai o tempo das vacas gordas onde nos podíamos dar ao luxo de escolher entre o trabalho X e o Y, e isso é triste.

Como já aqui referi mudei de trabalho há pouco tempo, há três meses e meio para ser mais precisa, a minha antiga empresa fundiu-se com outra maior, e não é o novo trabalho que me está a cansar, é o antigo mesmo que me atafulha de trabalho até à raíz do cabelo, têm sido três meses e meio aonde tenho que ter quatro braços e duas cabeças.

Sinto-me cansada, sinto que me estou a ir abaixo de dia para dia, não estivessem as minhas férias quase à porta e  jurava que estava à beira de um breakdown, como dizem os nossos co-fellows.

Mas isto de me queixar que estou cansada tem muito que se lhe diga, há quem ache que falo de barriga cheia porque tenho sorte em ter trabalho, há quem diga que só quem não tem trabalho é que se pode queixar, há quem diga que não me posso queixar porque estou sentada num escritório o dia inteiro! Então e eu não me posso queixar porquê? Sou uma pessoa! Nem sou muito de me queixar, quando o faço é mais na brincadeira, quando tenho o azar de o fazer a sério cai o Carmo e a Trindade.

Não me posso queixar porquê? Pergunto novamente. Trabalhar não cansa? Só eu sei o quão cansada estou e esse cansaço não há má língua nem "Marias da Fé" que mo tirem, antes houvessem, antes houvessem.....