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Crónicas de uma menina da mamã

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" Antoine de Saint-Exupéry

Je suis Charlie, com conta, peso e medida

O Semanário satírico francês Charlie Hebdo publicou hoje uma caricatura do pequeno Aylan Kurdi, encontrado morto à beira do mar após o naufrágio do barco aonde seguia com os pais e irmão, com a seguinte legenda: “O que teria sido o pequeno Aylan Kurdi se tivesse crescido? Um apalpador de rabos na Alemanha” (Uma pequena e ligeira referência aos acontecimentos da noite de fim do ano em Colónia, aonde a maioria dos suspeitos tinha pedido asilo político ou são imigrantes ilegais).

Liberdade de expressão sim, sátiras ok, humor estou de acordo, mas caricaturar uma criança morta, não... Não de todo!

Como em tudo há que saber parar, há que saber os limites e acima de tudo há que haver respeito... Não digo o que disseram à um ano atrás quando a redacção do Charlie Hebdo foi devastada pelo ataque de um grupo terrorista, "Eles estavam a pedi-las", não, ninguém merece morrer por expor de forma humorista, satírica, ou mesmo por escrito, uma ideia política ou uma crença religiosa, mas neste caso trata-se de uma criança morta caramba! Na minha opinião que tem que haver limites e noção do que deve ou não ser alvo de sátira e "humor".

Garantidamente que nem todas as crianças Sirías se irão "transformar" em Extremistas Islâmicos, e acima de tudo vamos respeitar a memória de uma criança que faleceu em circunstâncias tão cruéis e dramáticas.

 

Je suis Charlie, com conta, peso e medida!!

 

Kikas

 

Eu adoro voar

Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo. 
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos. 
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso. 


Já passei noites a chorar até pegar adormecer, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho a tentar descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer fugir.


Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta no meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já parti pratos, copos e vasos, de raiva.


Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar a uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar a uns, já fingi ser o que não sou para desagradar a outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "acho-me, agacho-me, fico ali".


Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.


Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre! 


Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais loucas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. 


Até me podem empurrar de um penhasco que eu vou dizer: 
- So what? EU ADORO VOAR!

 

Kikas